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Região Médio Oriente da GCE: ronda de notícias, maio 2017

Yemen GAWEIÉMEN: À medida que o conflito cobra o seu preço, a sociedade civil trabalha para garantir que a educação continua a ser uma prioridade

O conflito em curso no Iémen está a cobrar o seu preço sobre o sistema de ensino. As crianças estão confrontadas com um significativo dano emocional e psicológico: estima-se que mais de 2 milhões de crianças não frequentam a escola devido aos combates e insegurança. Apesar das melhorias significativas, o acesso equitativo à educação continua a ser um desafio, como mostram as persistente disparidades regionais e de sexo na educação. Antes do conflito, a taxa de crianças em idade escolar que terminava a escolaridade já era baixa: apenas metade dos que entraram para o 1º ano chegaram ao final da educação básica (9º ano). Além disso, há muitos anos que existe uma preocupação séria em relação à qualidade do ensino no país. Não é surpresa que a crise tenha agravado estes problemas já existentes.

Até à data, mais de 2.000 escolas estão fora de uso devido ao mau estado ou porque estão ocupadas por pessoas deslocadas internamente (PDI) ou por grupos armados. De acordo com uma pesquisa do Ministério da Educação, publicada este mês (abril de 2017), 75% das crianças entre os 6 e os 17 anos estão matriculadas na escola. No entanto, como resultado das crescentes crises alimentares e deterioração da situação de segurança, as taxas de abandono estão a aumentar, especialmente entre as raparigas. Isto associado ao facto de mais de metade dos deslocados internos no Iémen terem menos de 19 anos,torna claro porque é que menos crianças e jovens estão a conseguir frequentar a escola. Os rapazes que não frequentam a escola correm o risco de serem recrutados para fins militares, e as raparigas estão sujeitas a um maior risco de casamento prematuro.

Além disso, a falta de recursos financeiros tem contribuído para atrasos de manuais impressos, materiais de aprendizagem e documentos de exame, bem como atrasos no pagamento de salários dos professores. Na verdade, a UNICEF estima que cerca de 75% (166.000) dos professores no país não receberam um salário desde outubro do ano passado. A falta de dados credíveis simplesmente exacerba os desafios - sem dados precisos, é difícil saber exatamente que tipo de apoio é necessário, e onde é mais necessário.

Yemen YCEAApós o início do conflito, muitas ONG cessaram as suas atividades. Entretanto, os membros da CGE Yemeni Coalition for Education for All (YCEA) continuou a mobilizar as comunidades. Ao conseguir que os líderes locais de diferentes partidos políticos, incluindo grupos armados, assinassem um código de conduta concordando em deixar de ter como alvo os estudantes e as escolas, referido como o 'Black Shame', a YCEA foi capaz de incentivar as famílias a enviar novamente os seus filhos para a escola em 2015 e 2016. O documento foi partilhado pelo meios de comunicação para garantir que os pais e os atores locais estavam conscientes da situação.

As comunidades locais têm demonstrado um notável grau de resiliência durante todo o conflito em curso e a coligação do Iémen continuou a apoiá-los. Implementou atividades baseadas na escola e na comunidade que incentivaram os estudantes a inscrever-se na escola em 2016/2017. Além disso, incentivou as comunidades locais a oferecer instalações alternativas temporárias para o ensino, fez doações para apoiar os professores, organizou a reciclagem de livros antigos devido à falta de manuais escolares e distribuiu mochilas e artigos de papelaria. Enquanto isso, a Coligação Iemenita para a Educação continua a envolver-se com o governo e as autoridades relevantes para assegurar que a educação é uma prioridade.

Yemen GAWE 2017 boysA Semana de Ação Global pela Educação é mais uma oportunidade para a coligação chamar a atenção para a importância de garantir a educação para todos, apesar da crise. A campanha tem como alvoprincipal os decisores políticos e os meios de comunicação nacionais. Os cidadãos já compreenderam que a educação é essencial para a reconstrução do seu país e do seu futuro.

[Todas as fotos são da Coligação Iemenita para a Educação para Todos (YCEA) 2017]

 

 

MARROCOS: Qual o próximo passo para a educação pública em Marrocos?

A participação das instituições de ensino privadas em Marrocos triplicou nos últimos 15 anos, o que levou a uma discussão e análise feroz vinda de todos os quadrantes. O que é que isso significa para a educação pública no país? De forma alarmante, em 2016, o então primeiro-ministro Abdelilah Benkirane declarou que o Estado deve 'desligar-se' da oferta de educação e saúde, o que levanta a questão: O governo está a cumprir com a obrigação de providenciar educação gratuita de qualidade para todos? A ONU já apresentou as suas preocupações sobre a extensão da privatização da educação em Marrocos, juntando-se ao coro de críticas provenientes de sindicatos e organizações da sociedade civil. A coligação marroquina da CGE, Coligação Marroquina para a Educação para Todos, temestado na vanguarda desta campanha e acredita que o crescimento descontrolado do ensino privado em Marrocos gera discriminação na educação, e é uma fonte de violações dos direitos humanos.

Ahmed Al-Sahouate da Coligação Marroquina para a Educação para Todos (Moroccan Coalition for Education for All) , escreveu um artigo (em árabe) que analisa a qualidadeda prestação de ensino privado. Essas propinas escolares pagam professores mais qualificados e conseguem melhores resultados dos alunos? Al-Sahouate conclui que as escolas privadas não são a resposta. Investir na educação pública é o único caminho a seguir: "A educação é um direito humano básico que não pode ser transformado em mercadoria para o comércio e lucro. Vamos proteger e melhorar as nossas escolas públicas. Esta é a base para a construção do futuro das nossas gerações e o renascimento da nossa sociedade e das suas fundações. É a base para preservar a dignidade, a igualdade e os direitos dos nossos cidadãos".

PALESTINA: Estudantes no campo de refugiados de Askar partilham os seus sonhos para uma educação de qualidade e um futuro mais brilhante

Este ano, a Coligação Palestina para a Educação (Palestinian Education Coalition) planeou uma Semana de Ação Global para a Educação com muitas atividades. Representantes do Ministério da Educação, da UNRWA, assim como a Equipa Nacional de Educação, participaram numa conferência de imprensa para o arranque de quase três semanas de ação. A coligação organizou oficinas para estudantes nas 18 províncias de educação para explorar o tema da campanha de 2017: Prestação de contas da ODS4 e a participação dos cidadãos. Foram mantidas atividades nas escolas em três distritos - Hebron, Nablus e Qabatiya. 

Palestinian Education Coalition GAWE2017Foram também realizadas atividades no campo de refugiados de Askar, nos arredores da cidade de Nablus, que está entre os campos de refugiados mais densamente povoados da Cisjordânia. Os oradores salientaram que o direito a uma educação de qualidade deve ser protegido, mesmo em tempos de crise. Há uma necessidade urgente de mais financiamento se quisermos que este direito seja concretizado. As raparigas que frequentam aescola Al Awwal no campo lançaram balões enfeitados com slogans que representavam os seus sonhos para a educação.

 

Foram organizados eventos com representantes parlamentares e membros da Comissão de Educação no Conselho Legislativo para discutir o seu papel e as suas obrigações para garantir a educação para todos. Juntamente como uma oficina de dois dias de formação para os meios de comunicação, a coligação coordenou-se com as autoridades religiosas para garantir que os sermões religiosos de sexta-feira discutiam a questão da prestação de contas sobre a educação. Desta forma, os membros da CGE encorajaram todos os sectores da sociedade a defender a educação nesta Semana de Ação Global, incluindo tanto os cidadãos como o governo.

Por que não seguir o Coligação Palestina para a Educação no Facebook para se manter atualizado com notícias e atividades?: @PalestinianEducationCoalition 

 

[Crédito da foto: Palestinian Education Coalition 2017]